NOVIDADES
“Eu odeio propaganda”
Artigo do Eduardo Battiston, CCO da Isobar, para o Diário de Cannes
15/06/2016

Uma vez em Cannes – confesso que não me recordo o ano – fui a uma dessas palestras típicas em que um publicitário entrevista uma celebridade. O famoso da vez era o rapper Puff Daddy. Sem papas na língua, o cantor mandou, na frente do auditório lotado, uma frase que me marcou: “eu odeio propaganda, como todo mundo”. Um silêncio constrangedor pairou entre as centenas de publicitários e marqueteiros da plateia.

Sejamos francos: Puff Daddy não podia estar mais certo. A propaganda só servia, pelo menos à época, para interromper as pessoas. Mas, de lá para cá, nossa profissão vem mudando muito. Ainda bem.

Para chamar a atenção das pessoas em um cenário em que elas são bombardeadas por informação como nunca antes na história, a propaganda teve que se transformar. Algumas vezes nem dá mais para chamar de propaganda. Às vezes, a melhor propaganda é um serviço. Às vezes, é um produto novo. Muitas vezes, é uma nova experiência. Outras vezes, é um conteúdo, uma peça de entretenimento. Ou melhor ainda, é uma coisa que nem dá para definir direito.

Eu, claro, adoro propaganda. Mas confesso que, nos últimos anos, o desafio de criar propaganda que seja muito mais que só propaganda me deixou ainda mais apaixonado pela profissão.

Obrigado, Puff Daddy.