#200milliontimessorry
Coletivo Não é não (Rio de Janeiro)

Brasileiros se unem para formalizar pedido de desculpas à russa vítima de machismo

Campanha reuniu vídeos e declarações compartilhadas com a #200milliontimessorry

Na primeira semana da Copa um vídeo viralizou, para a vergonha de milhões de brasileiros. Um grupo de torcedores constrangia uma jovem russa com palavras de cunho sexual, aproveitando o seu desconhecimento do idioma português. Agora, com o encerramento da Copa, um novo vídeo quer mostrar que a comunidade brasileira se envergonha e sente muito pelo ato daqueles torcedores.

Este é o resultado da campanha #200milliontimessorry, criada pela agência NBS em parceria com os coletivos de mulheres “Não é Não” (Rio de Janeiro), “As Minas” (São Paulo) e “Tamo Juntas” (Salvador), além do movimento Torce Quem Nem Mulher, da Força Feminina Colorada (Porto Alegre). A agência rastreou e compilou vídeos e posts de brasileiras e brasileiros pedindo desculpas à jovem russa, publicados nas redes sociais com a hashtag que dá nome ao projeto.

“Esse projeto surgiu da inquietude de quem ficou inconformada com a atitude daqueles brasileiros. Queríamos dizer àquela russa que sentimos muito, que aqueles caras não nos representam e que não aceitamos aquele tipo de atitude”, explica a redatora Milena Zindeluk, uma das responsáveis pela campanha na NBS.

Em 20 dias de campanha, a hashtag teve centenas de compartilhamentos nas redes sociais, com homens e mulheres pedindo desculpas em nome do povo brasileiro. O vídeo com a mensagem final que será destinada à russa compila estas mensagens e compartilhamentos, para que ela possa ter noção do quanto a população brasileira repudia atos de assédio como o que ela passou.

“Precisamos provocar as pessoas a refletirem sobre o assédio e reforçar que não aceitamos o que aconteceu e que sentimos muito. A mulher russa infelizmente não é um caso isolado. Ela representa centenas, milhares de mulheres que passam diariamente por situações constrangedoras e de violência” explica Duda, do coletivo As Minas.

A produção do vídeo contou com a parceria do Studio Great e dos linguistas do aplicativo de idiomas Babbel, que auxiliaram na tradução dos vídeos e posts para o russo, além do inglês. “Nós, os brasileiros aqui da Babbel, achamos a ideia ótima e ficamos felizes em ajudar. Sabemos que algo dito no idioma do outro tem muito mais poder", afirma Julie Krauniski, Gerente de Relações Públicas da Babbel.

O resultado é divulgado agora na página do “Não é Não” no Facebook e quer, por meio dos compartilhamentos, chegar até a sua destinatária, na Rússia. “A importância dessa campanha está na sororidade. É uma ação para transmitir empatia, apoio e união, não só para a mulher russa que sofreu assédio por parte de brasileiros, mas para todas as mulheres do mundo”, finaliza Nandi Barbosa, que é designer e cofundadora do coletivo Não é Não.

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